José de Alencar – Til

Til é ambientado no agreste, envolto em dramas e mistérios, revelando os labores da vida real. Sobressaem as figuras de um bandido sanguinário e de uma jovem bondosa, que prefere continuar ao lado das criaturas desamparadas, mesmo depois que é desvendado o segredo de seu nascimento.

Primeiro, devo dizer que é uma história maravilhosa com personagens fascinantes como Til e Jão Fera, o criminoso que tem um bom coração que as pessoas não conseguem ver e entende-lo. Til é a perfeita heroína, com um coração puro e disposta a sempre sacrificar as suas vontades pelas dos outros.

Algumas frases:

“Eram dois, ele e ela, ambos na flor da beleza e da mocidade. O viço da saúde rebentava-lhes no encarnado das faces, mais aveludadas que a açucena escarlate recém aberta ali com os orvalhos da noite. No fresco sorriso dos lábios, como nos olhos límpidos e brilhantes, brotava-lhes a seiva d’alma.”

“Algumas vezes, deixava o rapaz de seguir com o passo a menina, para acompanhá-la com a vista.”

“- É tempo de acabar com este gracejo, Inhá. Além de minha mãe, eu lhe juro, que só a você quero bem; mas você não se importa comigo; portanto já sei o que devo fazer. Não hei de aborrecê-la mais.”

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No caminho

Caminho nessa estrada por tanto tempo
Mas parece que não sei mais aonde estou
Estou lentamente me desviando da rota
Perdendo o foco

Quantas vezes já tentei voltar
Mas não quero aceitar o sacrifício que isso me traz
Deixar tudo para trás

Estou tentando encontrar a minha essência
Descobrir quem eu sou
Por trás das aparências

Estou tentando encontrar a inocência
Que eu perdi e nem sei como
Na bagunça deste mundo
Não quero seguir a multidão
Quero me reencontrar

Vou voltar ao caminho
Seguir firmemente
O preço é alto
Mas não posso voltar

Se você me cativa

A vida pode ser monótona
O mundo pode parecer sempre ser igual
Pessoas andam e correm
Passam a todo instante
Na correria da vida

Mas se você me cativa
O meu dia será mais colorido
Se você me cativa
Esperarei alegremente para te encontrar novamente

Se você me cativa
Conhecerei a felicidade que só a amizade pode trazer
Sentirei os seus passos e sorrirei
Se você me cativa

Inspirado no livro “O Pequeno Príncipe”

Para o Pequeno Príncipe

Você apareceu como um mistério
Era um viajante
Cuidava do seu planeta com carinho
Pequeno, mas seu
Regava a flor
Tratava seus vulcões

Chegou aqui querendo ter um amigo
Tentou fazer amizades com várias pessoas
Mas não conseguia entende-las
Não conseguia cativa-las

Tudo para você era lindo
Tudo para você era inocente
Você falava com as cobras
Fazia do eco uma pessoa
Você percebeu que o homem cultiva mil rosas
Mas não encontra o que procura

Você é a estrela que ri no céu
Como uma fonte transborda de alegria
Você é meu amigo
É pequeno
Um príncipe

O Pequeno Príncipe

O livro conta a história de um homem que teve que fazer um pouso de emergência no deserto do Saara e lá conheceu o Pequeno Príncipe, que pediu que desenhasse um carneiro. Demorou um pouco para ele entender de onde o Príncipe viera, porque ele fazia milhares de perguntas e quase nunca respondia as suas perguntas.

O Principezinho contou a história de todos os asteroides que visitou e como era o dono de cada um. Falou sobre a rosa que tinha no seu planeta, que era única para ele e especial, se preocupava e cuidava dela, porque como ele aprendeu com a raposa que encontrou no deserto, a rosa o cativou.

Quando foi embora da Terra, levou o carneiro e desapareceu subitamente, sem o homem perceber. Ele sentia muita falta do Pequeno Príncipe, mas sempre pensava nele quando via as estrelas e se perguntava: O carneiro comeu ou não a rosa?

Como está escrito no livro: as pessoas grandes jamais entenderão a importância dessa pergunta e para você entender, terá que ler o livro.

O Pequeno Príncipe, sem dúvida, é um dos livros mais puros, fofos, apaixonantes e maravilhosos que eu já vi. Fiz dois poemas inspirados nele que postarei aqui no blog.

Carlos D. de Andrade – Amar se Aprende Amando

Esse livro é uma coletânea de poemas do autor que falam sobre o cotidiano, detalhes e coisas consideradas pequenas, mas que, quando escritas por Drummond, tomam um significado profundo e inesperado. Vi um resumo que dizia que o único aspecto tido como negativo deste livro são as poesias tidas como circunstanciais, que acabam se deslocando de outras que possuem um contexto mais pessoal, e pode deixar o leitor um pouco confuso. Só que eu não concordo, porque ele fez uma mistura muito interessante de poemas que falam sobre o cotidiano e poemas que falam sobre coisas mais profundas, como o amor.

Esse é o segundo livro que leio do Drummond e cada vez que leio suas obras, fico mais impressionada, porque ele é um poeta diferente de todos que eu já conheci, é simples e profundo ao mesmo tempo e consigo me identificar com tudo que ele escreve e isso é impressionante.

Separei dois poemas, um que fala sobre o amor e outro que fala sobre o cotidiano.

O Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda a parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Conversa com o lixeiro

Amigo lixeiro, mais paciência.
Você não pode fazer greve.
Não lhe falaram isto, pela voz
do seu prudente sindicato?
Não sabe que sua pá de lixo
é essencial à segurança nacional?
A lei o diz (decreto-lei que
nem sei se pode assim chamar-se,
em todo caso papel forte,
papel assustador). Tome cuidado,
lixeiro camarada, e pegue a pá,
me remova depressa este monturo
que ofende a minha vista e o meu olfato.
Você já pensou que descalabro,
que injustiça ao nosso status ipanêmico,
lebloniano, sanconrádico, barramárico
se as calçadas da Vieira Souto e outras conspícuas
vias de alto coturno continuarem
repletas de pacotes, latões e sacos plásticos
(estes, embora azuis), anunciando
uma outra e feia festa: a da decomposição
mor das coisas do nosso tempo,
orgulhoso de técnica e de cleaning?
Ah, que feio, meu querido,
essa irmanar de ruas, avenidas,
becos, bulevares, vielas e betesgas e tatatá
do nosso Rio tão turístico
e tão compartimentado socialmente,
na mesma chave de perfume intenso
que Lanvin jamais assinaria!
Veja você, meu caro irrefletido:
a Rua Cata-Piolho, em Deus-me-livre,
equiparada à Atlântica Avenida
(ou esta àquela)
por idêntico cheiro e as mesmas moscas
sartrianamente varejando,
os restos tão diversos uns dos outros,
como se até nos restos não houvesse
a diferença que vai do lixo ao luxo!
Há lixo e lixo, meu lixeiro.
O lixo comercial é bem distinto
do lixo residencial, e este, complexo,
oferece os mais vários atrativos
a quem sequer tem lixo a jogar fora.
Ouço falar que tudo se resume
em você ganhar um pouco mais
de mínimos salários.
Ora essa, rapaz: já não lhe basta
ser o confiscável serviçal
a que o Rio confere a alta missão
de sumir com seus podres, contribuindo
para que nossa imagem se redobre
de graças mil sob este céu de anil?

Vamos, aperte mais o cinto,
se o tiver (barbante mesmo serve)
e pense na cidade, nos seus mitos
que cumpre manter asseados e luzidos.
Não me faça mais greve, irmão-lixeiro.
Eu sei que há pouco pão e muita pá,
e nem sempre ou jamais se encontram dólares,
joias, letras de câmbio e outros milagres
no aterro sanitário.
E daí? Você tem a ginga, o molejo necessários
para tirar de letra um samba caprichado
naqueles comerciais de televisão,
e ganhar com isto o seu cachê
fazendo frente ao torniquete
da inflação.
Pelo que, prezadíssimo lixeiro,
estamos conversados e entendidos:
você já sabe que é essencial
à segurança nacional
e, por que não? à segurança multinacional.

Música do Mês

Para variar um pouco, a música desse mês é romântica. Da Taylor Swift com Gary Lightbody do Snow Patrol – The Last Time. Gosto muito da Taylor e sou um pouco viciada nessa música que é perfeita. A combinação das duas vozes, o ritmo, a letra, tudo é muito lindo. Para mim, a letra fala que tudo tem limites, até o amor, em certos pontos. Você pode até sentir algo muito forte por alguém, mas se a pessoa não te dá o devido valor, mesmo que isso te decepcione e te quebre por dentro, você tem que ir e dizer que a última vez.


A Última Vez

Me encontrei na sua porta
Como todas as outras vezes antes
Não tenho certeza de como cheguei lá
Todas as estradas me guiaram até aqui

Eu imagino você em casa
Em seu quarto, sozinha
E você abre seus olhos nos meus
E tudo parece melhor

Bem diante de seus olhos
Estou desmoronando, sem passado
E sem motivos
Apenas você e eu

Esta é a ultima vez que estou te pedindo isso
Põe meu nome no topo na sua lista
Esta é a ultima vez que eu pergunto por que
Você parte meu coração num piscar de olhos

Você se encontra em minha porta
Como todas as outras vezes antes
Você usou sua melhor desculpa
Mas eu estava lá para ver você partir

E todas as vezes que te deixei entrar
Só para você partir de novo
Desaparecer, quando você volta
Tudo é melhor

E bem em diante dos seus olhos
Estou sofrendo, sem passado
Ou nenhum lugar para se esconder
Só você e eu

Esta é a ultima vez que estou te pedindo isso
Põe meu nome no topo da sua lista
Esta é a ultima vez que eu pergunto por que
Você parte meu coração num piscar de olhos, olhos, olhos

Esta é a ultima vez que você me diz que entendi errado
Esta é a ultima vez que eu digo que sempre foi você
Esta é a ultima vez que eu deixo você entrar pela minha porta
Esta é a ultima vez, não vou mais te machucar

Oh, oh, oh

Esta é a ultima vez que estou te pedindo isso
Põe meu nome no topo da sua lista
Esta é a ultima vez que eu pergunto por que
Você parte meu coração num piscar de olhos

Esta é a ultima vez que estou te pedindo
Última vez que estou te pedindo
Última vez que estou te pedindo isso

Esta é a ultima vez que estou te pedindo
Última vez que estou te pedindo
Última vez que estou te pedindo isso

Eu Sou Malala

Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou por seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012 ela quase foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus enquanto voltava da escola. Poucos acreditavam que ela sobreviveria. A recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para os salões das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a mais jovem candidata da história ao prêmio Nobel da Paz. (extraído do livro)

Eu me impressionei muito com a biografia da Malala. Eu lembro como se fosse hoje do dia em que soube que uma garota no Paquistão havia sido baleada em um ônibus escolar enquanto estava voltando para casa. Fiquei chocada e fiz um poema antes de dormir sobre ela. E desde então a acompanho e ela é, sem dúvida, uma das minhas inspirações. Aprendi com ela a dar valor para a educação e comecei a acompanhar ONGs que trabalham para que as meninas e meninos recebam educação, que é negada, principalmente para as meninas, em muitas partes do mundo.

Desde pequena, influenciada pelo pai, que era dono de uma escola e lutava pela educação no Paquistão, ela se envolvia com a história e a política do país e amava a educação. Depois do atentado, sua causa ficou conhecida pelo mundo inteiro e o capítulo em que ela descreve como foi a sua recuperação é um dos mais fortes. Sua vida mudou, ela teve que sair do Paquistão e está morando atualmente no Reino Unido, onde tudo é muito moderno. Mas ela não mudou e continua lutando pela educação no mundo.

“Ver todo o ser humano com um sorriso de felicidade é o meu desejo.” (Malala Yousafzai)