Homem enigmático

Conheço um homem com um coração feliz
Estilo simpático de ser
Voz grave e olhar calmo
Confiante e despreocupado
Me cumprimenta e sorri
Dentro de mim algo surge
Eu não sei o quê
Mas algo é diferente

Você se vai e eu penso:
Fique mais um pouco
Não vá embora
Queria te conhecer melhor
Não aja com indiferença
Mostre quem você é

Conversas comuns
Às vezes algo novo acontece
Mas ele é um enigma
Em um pergaminho com marcas do tempo

Um dia minha ficha caiu
Percebi tudo claramente
Tive muitas expectativas
Você não percebeu
Mas sempre pensei o melhor de você
Acreditei em tudo que você fez e falou
Culpa minha
Te coloquei em um lugar alto
Você nunca se importou
Talvez eu queira demais

Eu queria te conhecer melhor
Queria que você ficasse dentro de mim
Mas você é distante
Você se mostra para mim ser uma pessoa
Mas longe é outra

Sei dos meus erros
Mas você tem me decepcionado
Você vai viver a sua vida
Não importa o que eu sinta
Eu vou viver a minha
Não importa o que eu sinta

Carlos Drummond de Andrade – A Rosa do Povo

Faz tempo que eu não compartilho com vocês os livros que leio, então decidi começar por esse maravilhoso livro de Carlos Drummond de Andrade. Eu o peguei emprestado na biblioteca da escola e já era para ter devolvido….mas não consegui porque queria ler de novo.

Eu fiquei fascinada com a poesia de Carlos Drummond de Andrade, que definitivamente é o meu poeta favorito. A poesia dele é cheia de significado e mistério e eu me identifiquei muito com que ele escreve e aprendi lições de vida. Esse livro foi publicado em 1945, ano emblemático, marcado pela Segunda Guerra Mundial e a Ditadura Vargas e ele capta perfeitamente o sentimento, a dor e a agonia do seu tempo

Um dos meus poemas favoritos desse livro se chama “Mas viveremos”:

Já não há mãos dadas no mundo.
Elas agora viajarão sozinhas.
Sem o fogo dos velhos contatos,
que ardia por dentro e dava coragem.

Desfeito o abraço que me permitia,
homem da roça, percorrer a estepe,
sentir o negro, dormir a teu lado,
irmão chinês, mexicano ou báltico.

Já não olharei sobre o oceano
para decifrar no céu noturno
uma estrela vermelha, pura e trágica,
e seus raios de glória e de esperança.

Já não distinguirei na voz do vento
(Trabalhadores, uni-vos…) a mensagem
que ensinava a esperar, a combater,
a calar, desprezar e ter amor.

Há mais de vinte anos caminhávamos
sem nos vermos, de longe, disfarçados
mas a um grito, no escuro, respondia
outro grito, outro homem, outra certeza.

Muitas vezes julgamos ver a aurora
e sua rosa de fogo à nossa frente.
Era apenas, na noite, uma fogueira.
Voltava a noite, mais noite, mais completa.

E que dificuldade de falar!
Nem palavras nem códigos: apenas
montanhas e montanhas e montanhas,
oceanos e oceanos e oceanos.

Mas um livro, por baixo do colchão,
era súbito um beijo, uma carícia,
uma paz sobre o corpo se alastrando
e teu retrato, amigo, consolava.

Pois às vezes nem isso. Nada tínhamos
a não ser estas chagas pelas pernas,
este frio, esta ilha, este presídio,
este insulto, este cuspo, esta confiança.

No mar estava escrita uma cidade,
no campo ela crescia, na lagoa,
no pátio negro, em tudo onde pisasse
alguém, se desenhava tua imagem,

teu brilho, tuas pontas, teu império
e teu sangue e teu bafo e tua pálpebra,
estrela: cada um te possuía.
Era inútil queimar-te, cintilavas.

Hoje quedamos sós. Em toda parte,
somos muitos e sós. Eu, como os outros.
Já não sei vossos nomes nem vos olho
na boca, onde a palavra se calou.

Voltamos a viver na solidão,
temos de agir na linha do gasômetro,
do bar, da nossa rua: prisioneiros
de uma cidade estreita e sem ventanas.

Mas, viveremos. A dor foi esquecida
nos combates de rua, entre destroços.
Toda melancolia dissipou-se
em sol, em sangue, em vozes de protesto.

Já não cultivamos amargura
nem sabemos sofrer. Já dominamos
essa matéria escura, já nos vemos
em plena força de homens libertados.

Pouco importa que dedos se desliguem
e não se escrevam cartas nem se façam
sinais da praia ao rubro couraçado.
Ele chegará, ele viaja o mundo.

E ganhará enfim todos os portos,
avião sem bombas entre Natal e China,
petróleo, flores, crianças estudando,
beijo de moça, trigo e sol nascendo.

Ele caminhará nas avenidas,
entrará nas casas, abolirá os mortos.
Ele viaja sempre, esse navio,
essa rosa, esse canto, essa palavra.

 

Malala Day

Hoje, dia 14 de julho, é o dia da Malala, instituído pela ONU. Mas como ela mesmo diz: “O Dia da Malala não é o meu dia, é o dia de cada garota e garoto. É um dia que nós, unidos, levantamos as nossas vozes, para que aqueles que não tem voz possam ser ouvidos.”

Esse ano, é campanha lançada é o #StrongerThen (mais forte que), para que possamos levantar as nossas vozes e dizer que somos mais fortes que os inimigos da educação, que o medo, a violência, a opressão e a pobreza. Mostrar o nosso potencial e poder contra tudo que quiser nos afastar do nosso objetivo: uma educação de qualidade para todos.

Se juntem a Malala e a muitas outras pessoas ao redor do mundo. Visitem o site: http://www.malala.org/ e se inscrevam. Compartilhe o vídeo abaixo e as notícias da Fundação Malala através do Twitter (@MalalaFund) e Facebook (www.facebook.com/MalalaFund), tweet uma frase ou poste uma foto no Instagram com a hashtag #StrongerThan

Passemos essa mensagem para o mundo. É uma necessidade.

Obs: No final do mês, postarei sobre o livro Eu sou Malala. Não esqueci. 🙂

Um dia

Hoje é o seu dia
Gostaria de poder dizer algo
Queria te ver

Vários fatores nos separaram
Não podíamos controlar
Mas a nossa amizade
Sempre superou tudo

E aqui estamos
De cabeça erguida
Vivendo a nossa vida
Mas em nossos corações
As memórias permanecerão
Elas vivem para sempre

Tenho certeza que um dia
Nos encontraremos
Celebraremos a vitória final
Sobre tudo e sobre todos
Que tentaram nos parar

Um dia
Seremos lembrados
Sei que você se sente perdida
Mas tenho certeza que você se reencontrará
Porque nada pode te vencer

Um dia
A sua história será contada
O mundo verá a sua vitória