Paulo André – O Jogo da Minha Vida

Não sou corintiana, mas amo futebol. Eu sempre tive vontade de ler esse livro, do zagueiro do Corinthians Paulo André, em que ele conta a sua histórias e faz reflexões sobre o futebol, a carreira, os desafios, a política do futebol, e muitas outras coisas.

Ele, como a maioria dos jogadores de futebol, teve que sair de casa cedo, aos 14 anos, para realizar o seu sonho de ser jogador de futebol, e morou em alojamentos da base do São Paulo FC (o time que eu torço), passou por outros clubes, jogou em um time da França e sofreu uma lesão que o deixou fora dos gramados por mais 1 ano e meio. E isso o obrigou a seguir caminhos diferentes daqueles que ele conhecia, começou a buscar conhecimento e desenvolveu a arte da pintura. Ele aprendeu que precisava fazer outras coisas na vida além do futebol, porque a carreira de um jogador de futebol é muito curta.

Ele fala muito sobre a importância da educação, sobre os mitos inventados sobre a vida de um jogador de futebol, porque todo mundo pensa que é fácil, “afinal estão rodeados de mulheres, dinheiro e fama”, mas não é bem assim. São tantos garotos que alimentam esse sonho, e poucos conseguem chegar ao profissional. E você não chega no profissional ganhando muito, é uma escalada, e para chegar ao topo é necessário muito sacríficio, dedicação, empenho, resistir as tentações, tomar cuidado com as amizades, paixão e motivação, assim como na nossa vida.

Esse livro abriu a minha mente e tirou aquele preconceito que a maioria das pessoas têm com os jogadores do futebol, mostrando que o jogador de futebol é, acima de tudo, um ser humano, que precisa de educação, que tem os seus medos, inseguranças, alegrias, etc.

Uma das minhas partes favoritas do livro é essa:

“Estou nessa caminhada desde os 14 anos de idade e cruzei com muitos sonhadores pelo caminho. Moramos juntos nos mesmos alojamentos, nos mesmos refeitórios, dividimos alegrias, tristezas, sonhos e realidades. Choramos por saudade de casa, por medo de não dar certo, por conta de derrotas e por amigos que iam ficando no meio do caminho. Apesar disso, seguimos em frente, na esperança de nos tornar atletas profissionais. O que posso constatar dessas experiências é que a maioria deles sequer terminou o ensino médio. A maioria não conseguiu ajudar a família, viveu num mundo de ilusão e hoje trabalha como empacotador no mercado, cobrador de ônibus, segurança de casa noturna. Outros voltaram para o interior do Recife ou de Alagoas e se encontram na miséria, sem esperança de dias melhores. Não quero desmerecer essas profissões, dignas e essenciais para toda a sociedade, mas, sim, mostrar o contraste da realidade atual com o sonho de outrora. Quero deixar evidente a necessidade de mudanças no formato atual de formação de crianças e jovens (atletas ou não) em nosso país, pois não podemos admitir que uma pessoa que tentou ser jogador chegue aos 20 anos sabendo só jogar bola e não tenha evoluído em outros setores da vida. Aliás, não podemos admitir que a única esperança de um futuro melhor para a maioria dos brasileiros seja o futebol ou a música.. Precisamos cobrar nossos governantes a respeito de outras possibilidades para o desenvolvimento individual de cada cidadão, cada família e de nossa sociedade como um todo, porque com certeza, não teremos Ronaldos, Gugas e Cielos em qualquer esquina para “salvar a pátria”. Espero que essa realidade seja passada às crianças e aos adolescentes que hoje focam nos ídolos, no sucesso, na fama e na superação dos que deram certo, mas que pouco conhecem dos que deram errado. Minha mãe sempre disse: – O conhecimento é uma das poucas coisas que ninguém pode roubar de você. E esse é o ponto que quero deixar para reflexão: nos preocupamos em deixar um mundo melhor para os nossos filhos, mas quando deixaremos filhos melhores para o nosso mundo? Utopia? Talvez! Mas tenho certeza de que acreditar que é possível já é o primeiro passo.”

Para terminar, outro trecho que me inspira:

” Se pudesse resumir o que é ser atleta, diria: sonho, paixão e desejo, aliados aos sacrifício e a dedicação! Repetição, repetição e repetição. Automatizar cada gesto, cada fundamento, preparar a máquina física e alinhá-la com a máquina mental, tornando-as uma coisa só. Suportar pressão, suportar derrotas, superar pessoas, superar a si próprio. Tudo isso numa decisão que deve ser renovada ao se levantar a cada manhã.

Eu disse no começo que eu amo futebol, por isso queria muito ler este livro e tive muita “sorte” de acha-lo em uma biblioteca (Mário de Andrade), mas se você não curte futebol, você vai amar esse livro do mesmo jeito, porque conta a vida de um ser humano e todos os seus desafios. É inspirador, cativante e verdadeiro, afinal, foi escrito por ele mesmo durante o Campeonato Brasileiro de 2011. Li em 4 dias. Vocês vão amar, tenho certeza.

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